Notas ao subjetivismo na obra de arte

 

A arte

A arte começou com apuração e intensidade, características que estavam presentes nas obras das pinturas petróglifas – onde existe apuro na forma e no conteúdo, ali existe uma narrativa, a intenção não apenas de comunicar uma existência como ela é, mas emocionar o outro. A arte é um campo recortado de especificidade da realidade com narrativa apurada simbolicamente, intencionalidade de passar e emocionar.

Até o Renascimento, com raros momentos, a arte é vista como parte da coletividade, da vida social e seu simbolismo – desta forma, ela é realista até na intencionalidade mítica.

A partir do Renascimento a arte se autonomiza. Não apenas expressão de algo no artístico, mas do campo artístico pelo artístico, “contratação” do artista pelo seu trabalho próprio. A abstração se expande, a par com a revelação da ciência na arte: abstração e ciência se encontram nos mínimos detalhes da criação e, como sabemos, muitos outros detalhes até para além de nossa compreensão (p. ex., em Nascimento de Vênus (Sandro Botticelli, 1483-1486), a mecha de cabelo suspensa sobre o ombro direito da deusa forma uma curva logarítmica perfeita, conhecida matematicamente como spira mirabilis (espiral) ); ou o atemporalismo da obra inacabada (Leonardo Da Vinci: A Virgem e o Menino com Santa Ana (c. 1503)); mas a concepção se encontrava unida ao fazer.

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