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Carta a Uma Senhorita em Paris

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  LINGUAGEM, INCONSCIENTE E ARTE A PARTIR DE UM CONTO DE JÚLIO CORTÁZAR / Quando no conto Carta a uma senhorita em Paris , a personagem de Júlio Cortázar – possivelmente seu alter ego – vai morar por uns meses no apartamento de uma amiga que viaja de Buenos Aires para Paris, algo fantástico e mesmo bizarro acontece, o novo hóspede começa a vomitar coelhinhos. Os coelhos são escondidos da empregada da casa durante o dia no armário do quarto do novo morador, e soltos à noite quando esta dorme. No início dá para manter as aparências da casa em ordem, com alguns remendos nos objetos que se quebram ou são destruídos pelos coelhinhos, mas eles crescem e já são 11 vomitados. E nada indica que vai parar. Vomitar coelhos só pode ser do inconsciente – não pela sua absurdidade, mas por sua potência de existir fantasticamente, por sua potência de crescer e destruir a estabilidade dada. E neste caso, como muitas vezes na realidade, os elementos disruptivos “crescem”, revolucionam – o corpo, ...

As práticas do capital

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  Entre a semiótica e o fazer nas sociedades mercantis (...) Por todos os lados, da produção material, à produção da cultura e às formas de reprodução da ideologia dominante, é a partição, a segmentação e a especialização, comandadas pela alta gerência dos capitalistas, que imperam. Assim, a contradição que interessa para o domínio e, consequentemente, a exploração do trabalho para a geração de mais-valia,  é a oposição entre o poder-fazer (o conhecimento, os meios e a liberdade para fazer, por parte dos fazedores) e o poder-sobre (a propriedade dos meios e formas de fazer, que se impõe sobre os fazedores). (...)  De fato onde existe um poder-sobre-o-fazer, não existe um poder-fazer (ainda que possa existir algum saber-fazer) – a dominação é sempre dominação (absoluto domínio dos meios e das formas do saber e fazer), e vê-se que as modulações entre os termos que se “contradizem” para o percurso <poder-sobre à não-poder-sobre à poder-fazer>, ou o contrário, <poder...

Hermenêutica e Direito: significado, linguagem, interpretação e lógica

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Hermenêutica - Parte Introdutória  POSTAGENS RELACIONADAS      

Em Busca das Causas Perdidas II - Nietzsche (entre amigos!) e o Direito

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Já escrevi neste blog sobre a “verdade” e as implicações, do ponto de vista filosófico, para o Direito, de forma primordial quanto ao pressuposto que este seja capaz de promover a “justiça” entre os homens. Promover a "justiça" significa que o Direito seja eficiente na prevenção quanto ao poder-de-fazer-ou-obrigar-a-fazer e eficaz quanto ao tratamento posterior a este fazer, quer dizer, o fato, quem, como, por quê, em que circunstâncias etc. Sem a “verdade” o que seria a “Justiça”? Também já escrevi aqui sobre os aspectos filosóficos e algumas teorias sobre “vontade” e “consciência”, que precisamente envolvem esta problemática fundamental ao Direito, a de saber afinal em que bases valorativas se pode juridicamente coagir a não fazer algo, a exigir que se faça algo e a julgar e castigar em função dessas diretivas não cumpridas. Sem identificar “vontade” com “consciência” como “justiçar”? Tenho me referido à “verdade” de forma epistemológica, mais na tradição das d...

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