Carta a Uma Senhorita em Paris
LINGUAGEM, INCONSCIENTE E ARTE A PARTIR DE UM CONTO DE JÚLIO CORTÁZAR / Quando no conto Carta a uma senhorita em Paris , a personagem de Júlio Cortázar – possivelmente seu alter ego – vai morar por uns meses no apartamento de uma amiga que viaja de Buenos Aires para Paris, algo fantástico e mesmo bizarro acontece, o novo hóspede começa a vomitar coelhinhos. Os coelhos são escondidos da empregada da casa durante o dia no armário do quarto do novo morador, e soltos à noite quando esta dorme. No início dá para manter as aparências da casa em ordem, com alguns remendos nos objetos que se quebram ou são destruídos pelos coelhinhos, mas eles crescem e já são 11 vomitados. E nada indica que vai parar. Vomitar coelhos só pode ser do inconsciente – não pela sua absurdidade, mas por sua potência de existir fantasticamente, por sua potência de crescer e destruir a estabilidade dada. E neste caso, como muitas vezes na realidade, os elementos disruptivos “crescem”, revolucionam – o corpo, ...