O valor de uso resiste ao capital
Ficheiro:Kurt Schwitters Alfred Sohn-Rethel 1940/
Resumo: A hipótese de
Alfred Sohn-Rethel, por mais heterodoxa que possa ser, é uma “virada de chave”
preciosa nos estudos da sociologia crítica, mormente no que tange à
investigação das perspectivas dos movimentos sociais, desde que se atribua aos
homens a primazia de tais dinâmicas. Na filosofia idealista a vontade e a
consciência dependem da evolução e manifestação do espírito; para Sohn-Rethel,
no entanto, a explicação é materialista, passa pelo modo de produção
capitalista conforme a fenomenologia explicitada por Marx no capítulo primeiro
d’O Capital: “A Mercadoria”. Se não como pura imanência do espírito, como a
vontade e a consciência podem realizar um projeto de querer-poder-fazer além da
dominância do capital? A resposta instigante de Sohn-Rethel está na identidade
entre forma mercadoria e forma pensamento, o homem que experimenta, no ato das
trocas, como “abstração real”, o valor
de uso contido na mercadoria. Porém, em Sohn-Rethel a questão não é
apenas a formação social do pensamento, mas da crítica emancipatória.
Comentário: É importante salientar que o "texto autoral" considera que grande parte da materialidade da "consciência" do valor de uso nas trocas retroage quando o agente busca o beneficio utilitário na economia possível de seu próprio trabalho (presente, futuro), dado que, em última análise, as trocas operam como mecanismo que - segundo Sohn-Rethel -, se serve à "realização" das mercadorias, também antecipa a própria produção de bens necessários à sobrevivência humana. Desta forma, todo o ciclo de produção e circulação de mercadorias é fundamentalmente a busca humana por tempo de trabalho disponível, ou se se quiser, por ociosidade (que busca equiparar as classes sociais). Este processo na totalidade social já atingiu em muito o pensamento ao tempo precisamente de maior elasticidade de tempo de trabalho, ou "tempo livre", sem que se esqueça todas as precarizações sofridas pela classe trabalhadora.
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